A LEGIÃO DE CÉSAR

Quando começamos a nos interessar por algo, não necessariamente histórias, buscamos nos lugares mais inesperados e nos mais confiáveis, fontes seguras para uma contínua alimentação de nossa sedenta sabedoria acerca de um assunto específico. Ao ler livros sobre Júlio César, depois de sua saga muito bem amarrada e narrada pelo autor Conn Iggulden em seus 4 volumes e buscando em sua “nota histórica” o que, diga-se de passagem, é muito interessante pois situa o leitor tanto sobre o que ocorreu em seu romance quanto os fatos omitidos e modificados pelo autor, encontrei diversos livros, alguns traduzidos e outros não sobre aspectos diversos sobre a vida de César, de diversos autores, desde o autor da antiguidade Suetônio até os mais modernos, como Conn Iggulden.

Nesse estilo de romance, pelo menos é o que minha “visão” me leva a entender, faz sucesso pelas batalhas medievais que nos fascinam pelo modo “simples” que se disputava-se poder e reputação naquela época usando 3 palavras-chave: Espadas, Sangue e Guerra. Um dos livros indicados em nota histórica era o livro sobre as legiões de César, de Stephen Dando-Collins que focava principalmente a sua legião de elite, a X (Décima).

No livro de Conn Iggulden nos é explicado que a Décima foi nomeada assim por uma batalha ocorrida em uma rebelião de escravos em que um dos “lados” da batalhão de César recuou, o que prejudicou tanto a batalha que ao final da mesma foi escolhido o décimo homem de cada fileira para ser literalmente espancado, sem o uso de espadas, para mostrar punição esperando que aquele fato não viesse a ocorrer novamente.

Notando que apesar das bases históricas fortes desses livros ainda sim eram romances fictícios, fui atrás de autores especializados principalmente na elite de César e esse autor, Stephen Dando-Collins, que ministra até palestras no exterior, dominava demais esse assunto. Ao ler “A legião de César” descobrimos que naquela época era muito comum utilizar um sistema de numeração para as legiões, tornando naquela época, por muitas vezes, ouvir-se falar sobre duas Décimas, quatro Sextas e assim por diante.

O autor explica de maneira muito inteligente as batalhas nos situando terrenamente das posições de cada legião além de descrever de forma rica em detalhes a construção da Décima, que na verdade era chamada de Décima Gêmea e não Décima Primogênita como alguns pensam pois está foi criada na época anterior a César, época de Pompeu.

O livro, que contém mais ou menos umas 340 páginas conta os capítulos basicamente por batalhas, escaramuças e disputas de território em uma época conturbada do Império Romano. De certa forma o livro, de tão rico em detalhes, por vezes é maçante mas muito interessante para quem se interessa por batalhas históricas e de como os exércitos eram treinados para as mais precárias adversidades.

Outro trecho interessante do livro é a comparação do sistema de comando da época de César com o comando militar atualmente (soldado, cabo, coronel etc.) além de uma lista de todas as legiões catalogadas desde o período de Pompeu.

Somando-se os ricos detalhes, as batalhas comentadas e o enfoque a legião mais importante de Júlio César esse livro torna-se uma boa leitura para que gostaria de conhecer mais a fundo, bem mais a fundo, sobre os homens endurecidos a ferro e sangue da legião elite de Roma, a Décima.

Espero que apreciem a leitura!

Data: 21 de outubro de 2009